Paradigmas da gestão da saúde no município de Itajaí (Artigo)

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Um dos grandes problemas enfrentados pelo Sistema Único de Saúde está relacionado com a integração entres os seus níveis de atenção. O conceito de rede até funciona com mais consistência na perspectiva da Atenção Básica, todavia, quando este nível de atenção tem que se integrar com os demais níveis, a fim de garantir uma integralidade na assistência ao usuário do sistema, aparece o nó crítico.

É visível e recorrente esse problema no âmbito da assistência à saúde no nosso município. É uma anomalia que, até hoje, a Gestão Local do Sistema Único de Saúde não conseguiu e não consegue dar respostas efetivas para a resolução desse problema.

O Município de Itajaí tem uma rede de saúde constituída na teoria, todavia, na prática é fragmentada, onde os níveis de atenção não conversam e se relacionam muito pouco entre si. Essa situação tem gerado um grande problema aos usuários. Não podemos falar que temos uma integralidade, universalidade e equidade necessária no sistema já que, na prática, o cenário é outro.

Esses princípios ainda não são respeitados pela gestão da saúde no nosso município. Como podemos afirmar que existe, por exemplo, universalidade no sistema, se o usuário quando necessita de atendimento num nível de complexidade maior, não encontra, não tem acesso e/ou há dificuldades no acesso? Colocar o conceito de universalidade apenas no acesso ao serviço, e não na efetividade desse serviço, é implodir esse conceito.

Acesso universal não é só chegar a uma Unidade Básica e ser atendido, isso todos conseguem. Universalidade é ter acesso em todos os serviços, independente do nível de complexidade e da demanda em saúde do usuário.

Quando o profissional médico da Estratégia Saúde da Família encaminha o usuário para um serviço de média ou alta complexidade e o usuário não consegue agendamento, ou consegue só depois de meses e até anos, isso é universalidade? Claro que não. O direito as ações e serviços de saúde não está sendo garantido no município quando tratamos de uma política que tem como um dos princípios basilares, a universalidade.

Temos uma rede de serviços fragmentada onde a ligação entre todos os níveis de atenção do sistema ainda não acontece, protocolos são praticamente inexistentes, o Sistema Regulador é falho e pouco estruturado e as equipes da Atenção Básica não são integradas com as equipes dos demais níveis de atenção etc.

Como vamos partir para a integração dos serviços de saúde regionalizados como preconiza o SUS, se não temos isso resolvido ainda no nível local?

Vários questionamentos ficam. São provocações necessárias e que nos deixam cada vez mais inquietos para resolver esse problema, que afeta os profissionais de saúde, e principalmente os usuários do nosso SUS.

Diante do exposto, temos que repensar o conceito de rede, de universalidade, de integralidade etc., para podermos chegar ao ponto que queremos dentro do sistema.

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