A legislação eleitoral exige que os candidatos e coligações prestem contas durante o período de campanha eleitoral. Isso acontece para garantir a lisura de todo o processo e permitir que a Justiça Eleitoral e os eleitores tomem conhecimento do andamento da campanha e de como cada candidato/coligação está gerindo seus recursos. Esta gestão é importante para que os eleitores saibam quem está gastando mais dinheiro na campanha, vejam como os recursos são utilizados e para que a Justiça possa ter garantia de que não há ilegalidades. De acordo com a legislação vigente, todas os recebimentos em dinheiro realizados até o dia 8 de setembro precisam estar na declaração parcial.

Manual de prestação de contas do TSE diz que recursos recebidos devem ser informados em até 72 horas.
Manual de prestação de contas do TSE diz que recursos recebidos devem ser informados em até 72 horas.

Observando a declaração dos três candidatos a prefeito em Itajaí, fica evidente a diferença na maneira como são gerenciadas as campanhas. A candidata da coligação “A Itajaí que você quer”, Anna Carolina Cristofolini Martins (PSDB), tem em recursos recebidos o valor de pouco mais de R$71 mil e gastou pouco mais de R$40 mil, já tendo quitado 67% do que foi contratado e tem previsão de recebimentos que cobrem os gastos integralmente. Já o candidato da coligação “Inovação, ética, trabalho e competência”, João Paulo Tavares Bastos Gama (PP) tem em recursos recebidos em torno de R$265 mil e gastou mais do que espera receber, com mais de R$300 mil em despesas. O candidato do PP já quitou 86% de suas despesas totais, mas não tem recursos estimáveis em quantia suficiente para quitar 100% dos compromissos.

O caso que causa mais estranhamento nas prestações de contas é o do candidato da coligação “A mudança que Itajaí precisa”, o ex-prefeito Volnei Morastoni (PMDB), que tem em seus recebimentos apenas R$10.250,00, mas já gerou despesas no valor de mais de R$495 mil, sendo que ainda não pagou nem um centavo sequer aos fornecedores. Volnei não tem recursos estimáveis em sua prestação de contas, o que significa que, se as eleições terminassem junto com o fechamento desta edição do jornal, a coligação não teria recursos em quantidade suficiente para honrar todos os compromissos firmados.

Vai pagar depois da eleição?

A gráfica Unigraf, sediada na Barra do Rio, é até agora o maior fornecedor de campanha do candidato do PMDB, sendo responsável por mais de R$160 mil em impressos, um valor maior do que o total da candidata Anna Carolina e mais de 50% de todo o gasto de campanha do candidato João Paulo. Questionado sobre a questão, um dos sócios da gráfica, Alcides Westphal, explicou que as notas fiscais estão sendo emitidas e os pagamentos estão sendo realizados. “Não sei como eles fazem a prestação de contas. Sei que tem coisas que são pagas depois da eleição. Em outras campanhas já foi assim. A quitação mesmo fica antes dos 30 dias depois da eleição”, explicou Alcides.

Procurado pela nossa equipe de reportagem, o coordenador de campanha Vilson Sandrini (PV) apenas confirmou a leitura do email, mas não respondeu. O candidato e o partido não ofereceram nenhum tipo de resposta. Caso queiram manifestar para a próxima edição, o espaço está aberto. Basta enviar um email para redacao@jornalsemcensura.com.br que o direito ao contraditório será garantido.

João Paulo (PP)

Mesmo com valores intermediários entre os outros candidatos, João Paulo já gastou 14% a mais do que as receitas previstas.
Mesmo com valores intermediários entre os outros candidatos, João Paulo já gastou 14% a mais do que as receitas previstas.

Anna Carolina (PSDB)

Com gastos menores, a candidata do PSDB tem condições de arcar com todas as despesas.
Com gastos menores, a candidata do PSDB tem condições de arcar com todas as despesas.

Volnei Morastoni (PMDB)

O candidato do PMDB ainda não pagou nada e só tem recursos estimados para pagar 5% de seus gastos.
O candidato do PMDB ainda não pagou nada e só tem recursos estimados para pagar 5% de seus gastos.

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