Insistir no óbvio

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Pavimentar ruas é importante. Ônibus pontual é importante, economia aquecida também o é. Mas qualquer cidadão sabe que a prioridade ao administrar uma cidade tem que ser cuidar da saúde da sua gente. Insisto em dizer que “um doente, uma família toda doente”, justamente porque quem ama cuida e sofre junto. E com um adoentado em casa, obrigatoriamente mudam-se os hábitos e a qualidade de vida de todos, tanto pela condição psicológica, quanto pela financeira.

De nada adianta ter emprego sem ter saúde para trabalhar, ou ter dinheiro e não poder usufruir dele por conta da doença. Infelizmente o óbvio muitas vezes precisa ser dito, porque é necessário que um Prefeito compreenda e não meça esforços para dar o mínimo de qualidade de vida para o contribuinte, que é quem movimenta a máquina pública.

Infelizmente o óbvio muitas vezes precisa ser dito, porque é necessário que um Prefeito compreenda e não meça esforços para dar o mínimo de qualidade de vida para o contribuinte

Uma das bandeiras da campanha eleitoral do prefeito Volnei Morastoni em Itajaí era zerar a fila de espera para exames médicos e procedimentos cirúrgicos, porém, nada para o cumprimento dessa promessa foi anunciado até agora. Por outro norte, desde o fim do ano passado Itajaí sofre, e muito, com a falta do estritamente básico para o atendimento nos postos de saúde. Há relatos diários dos próprios profissionais sobre a falta de lençóis, materiais de higiene em geral e corte de medicamentos para os pronto-atendimentos.

No início do mês de março, Itajaí foi surpreendida com notícia vinculada na imprensa nacional que pessoas com diagnóstico de câncer estavam sem previsão de iniciar o tratamento, o que vem em desencontro com a lei federal, que determina o prazo de espera de até dois meses. Por conta da situação, várias pessoas precisaram garantir o tratamento através da justiça, o que vem sendo feito também por centenas de itajaienses, cujo fornecimento de medicamento de uso contínuo foi cancelado sem mais explicações.

É fato que nunca se tem dinheiro o suficiente para manter a saúde em alto padrão, mas causou comoção a intenção de Volnei Morastoni em terceirizar o setor em Itajaí. Sabemos que a saúde é serviço essencial e um dever do Estado para com o contribuinte. Querer terceirizar esse serviço sob a tentativa de “gerar lucros” resulta em suprimir o que praticamente não tem, além de diminuir a quantidade e qualidade do serviço que já está péssimo, principalmente pela falta de condições aos profissionais que lá estão.

Além disso, alguns municípios que optaram pela terceirização do serviço da saúde estão respondendo à justiça e ao Tribunal de Contas, muitos pela ausência de orçamento prévio e planilha detalhada de custos que levam a conclusão de superfaturamento dos serviços prestados. Resumindo, jogar a responsabilidade no colo dos outros não é tão simples quanto parece.

A verdade é que o maior problema parece ser sempre o nosso, mas não é. E assim deve pensar um prefeito: ele não foi eleito para resolver o seu problema, mas sim o problema de toda uma cidade, seja qual for a peculiaridade dela. Não há como manter equilibrada a saúde sem planejamento e obstinação, mas, acima de tudo, é preciso ter compaixão pelo próximo e prioridades coletivas.

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