Construtora Carelli e vereadores são alvos de investigação

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Nesta terça-feira, 9, a construtora Carelli se tornou alvo de uma fase ostensiva da Operação Conexão Miami, da Polícia Federal. Duas pessoas foram presas em Balneário Camboriú, mas até o fechamento desta edição os nomes não haviam sido revelados pela polícia.

Há cerca de um ano a construtora anunciou um grande empreendimento na Praia Brava em Itajaí que levaria o nome da Porsche Design Towers Brava, porém, de acordo com a Polícia Federal, a empresa usou meios ilícitos para fazer o pagamento do direito de uso da marca. O esquema envolvia doleiros e contratos de câmbio (operações de importação) por meio de empresas fantasmas e laranjas, com objetivo de burlar os canais formais de envio de valores ao exterior.

Se a operação fosse feita da forma regular teria tributos maiores, com controle do estado e até da origem dos recursos, e tudo isso ainda está sendo objeto de apuração.

O montante movimentado estimado até o momento está em torno de R$ 13 milhões, que seria referente ao uso da marca. O valor que deixou de ser pago de imposto ainda não foi apurado.

O ponto de partida da Operação Miami foi a Operação Ex Câmbio, deflagrada em 2015, e que investigou quatro organizações criminosas compostas por doleiros que realizavam evasão de divisas mediante fraude cambial, gestão fraudulenta de instituição financeira e lavagem de dinheiro.

Investigados

 Nesta fase da operação nove pessoas estão sendo investigadas inicialmente: os presos em Balneário, dois doleiros, dois corretores de imóveis e os três empresários estrangeiros, sendo dois norte americanos e um alemão (empresários que trabalham com direitos de marcas e ligados à multinacional Porsche). Eles serão qualificados e indiciados e terão que responder às acusações no Brasil pelos crimes praticados.

Vereadores no rolo

 Na mesma manhã foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú e nos endereços dos vereadores Asinil Medeiros, Moacir Schmidt, Elizeu Pereira e Roberto Souza Jr na chamada Operação 30º.

Em coletiva de imprensa, os integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) informaram que a Operação é resultado de investigação iniciada no ano de 2016 com base em notícias e depoimento de empresário ligado ao ramo da construção civil, dando conta de exigências efetuadas por vereadores, visando a obtenção de vantagens indevidas, para o trânsito e aprovação de projetos de lei junto ao Poder Legislativo municipal, em especial, alterações no plano diretor de Balneário Camboriú.

Estão sendo apurados crimes contra a administração pública, especialmente atos de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes correlatos, envoltos na defesa de interesses privados em detrimento do interesse público.

A operação foi denominada 30º em face de negociação de projeto de lei de uso e ocupação do solo que alterou o índice de declividade de 30% para 30º, visando atender exclusivamente interesses relacionados a um único empreendimento particular, pois propiciou aumento de área construída nas cotas altas do terreno.

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