O patrimonialismo e sua relação com a corrupção

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As marcas do patrimonialismo deixam em evidência há pelo menos dois séculos, o quanto essa prática é perversa para a população e nossas instituições. A confusão entre o patrimonialismo e os governos é um vício que não conseguimos nos livrar, cujas características marcantes são a irracionalidade, a ineficiência e a corrupção.

 Muitas pessoas atualmente ficam revoltadas com a magnitude da corrupção nas três esferas de governo, que fincou profundas raízes no Estado Nacional, e esquecem ou não tem conhecimento que ela tem raízes antigas. Com a queda do Império e a instituição do sistema republicano, essa doença não foi eliminada. O patrimonialismo se alimenta através de correntes políticas que não conseguem sobreviver sem esta condição nefasta.

Os governos patrimonialistas sugam a população através de impostos, contribuições e o que retorna para a população? Serviços públicos ineficientes, corrupção em todas as esferas de governo, benefícios para políticos e seus apadrinhados, que veem o patrimonialismo como um sistema vital para a sobrevivência de corruptos, bem como de partidos políticos.

O elevado grau de estatização com foco no patrimonialismo, que conhecemos ao longo da nossa vida republicana, que vem desde a década de 1930 e que teve continuidade nos governos militares (Ditadura Militar) e nos governos democráticos, fez crescer de forma significativa a promiscuidade entre o púbico e o privado.

A corrupção não é algo novo, é um braço do patrimonialismo, e escândalos como o do “mensalão” e do “petrolão” mostram claramente que vivemos num sistema político altamente corrupto, onde partidos políticos e determinados segmentos do setor privado se unem para assaltar os cofres públicos e criar uma conexão digna de se igualar aos grandes grupos mafiosos espalhados pelo mundo.

Temos um entrelaçamento entre essa burocracia patrimonialista existente no Brasil e determinados partidos políticos, que os tornam uma verdadeira associação criminosa, menos uma instituição política de representação dos interesses da população.

Combater o patrimonialismo no Estado brasileiro é uma necessidade cirúrgica, já que diversos organismos nocivos a coisa pública ainda permeiam as artérias do Estado e se nutrem do patrimonialismo para saquear e tornar nossas instituições cada vez mais doentes, sendo tal condição necessária para a sobrevivência desses grupos criminosos dentro do aparelho estatal.

A verdade é dura, mas parece que a corrupção é um código genético que programa nossos políticos e diversos segmentos da sociedade a se lançarem a adotar as práticas mais perversas de se apropriar da coisa pública.

O dia a dia da sociedade brasileira e das nossas instituições públicas e privadas mostra que esta doença está longe de ser erradicada, apesar de termos uma luz no fim do túnel, como os casos que estamos assistindo de grandes figurões da República sendo presos por corrupção. Mas só isso não basta, a sociedade tem que mudar suas práticas, porque ela é tão corrupta quanto determinados partidos e políticos no Brasil.

Mas, como ter esperança, se assistimos diariamente, cidadãos saírem em defesa de corruptos, votarem em corruptos, fecharem os olhos para práticas corruptas por conta de favorecimentos através da distribuição de cargos e outros benefícios? Fica a pergunta!

O discurso contra a corrupção na boca de muitos cidadãos, muitas vezes não passa de pura hipocrisia, basta ver os exemplos que temos no cotidiano da nossa sociedade.

* O autor é Cientista Político e palestrante em gestão pública

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