Respirar tem preço

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Sempre acreditei que o bem material mais importante que uma pessoa pode ter é um “teto”. De que material ele é feito, tanto faz, desde que seja apoiado por quatro paredes e que o conjunto possa ser chamado de “lar”. Sempre vejo no lar como um local destinado a proteger seus moradores das variações climáticas, receber visitas e que seja tão acolhedor quanto possa ser.

Agora penso como é difícil para as pessoas adquirirem com muita luta seu espaço e não terem vontade de estar lá porque o ambiente fede. Ter vergonha de receber visitas porque elas mal conseguirão respirar ar puro, não sentir o aroma da comida que está sendo feita, ter o odor impregnado nas roupas que acabaram de ser lavadas, viver com as janelas constantemente fechadas, com náuseas, com tontura e com dores de cabeça constantes. Tudo em função de uma empresa que, claramente em conluio com o poder público, não resolve a questão do mau cheiro que produz.

O cenário que escrevi representa o sentimento dos moradores e trabalhadores do Arraial dos Cunha, na zona rural de Itajaí. A empresa é ligada a poderosa GDC Alimentos, uma indústria que reaproveita as partes dos peixes que são descartadas pelas enlatadoras.

De um lado, uma das fábricas que mais gera impostos ao município, do outro, uma comunidade há muito esquecida pelo poder público em Itajaí. Essa batalha, que está prestes a virar campal, teve início em novembro de 2016 e já movimentou a imprensa, vereadores, ministério público e muitas, muitas promessas que ficaram apenas no discurso. Enquanto isso, não há dia de folga para os moradores que, de forma desumana, sobrevivem ao odor. Logicamente o Poder Público precisa arrumar meios de atrair investidores para a cidade, mas a que preço? Até onde é justo que os órgãos fiscalizadores tenham conhecimento do fato e prorroguem a licença ambiental de teste por duas vezes, usando licença provisória como se fosse definitiva?

Como pode o poder público se omitir de uma situação que atinge diretamente a dignidade das pessoas há quase dez meses e não determinar um estudo técnico para regularizar a situação?

Em qualquer cidade cuja população seja levada a sério, uma situação desta já teria sido resolvida sob pena de paralisar totalmente as atividades da empresa, que ainda responderia criminalmente.

Dinheiro é bom e necessário. Mas absolutamente nada compra a qualidade de vida das pessoas. A comunidade do Arraial dos Cunha merece respeito!

 

1 Comentário

  1. Agradeço imensamente o apoio prestado pela senhora. Enquanto muitos viram as costas para nossa comunidade que sempre foi esquecida, pessoas como você, e os vereadores Rubens Angioletti e Marcelo Werner lutam conosco para o bem de todos que moram. Desde que essa empresa se instalou no bairro acabou a paz, tranqüilidade, sucego e bem estar. Tem dias que é impossível tomar um café, almoçar e principalmente jantar, pois o odor é insuportável. Receber uma visita aos fins de semana é raridade, pois o que era para ser confortável e aconchegante se torna vergonhoso e constrangedor. Sem contar o mal a nossa saúde. #queremosnossoarpuronovamente

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