Advocacia não é profissão de covardes

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Agosto é o mês do advogado, o profissional que é chamado para socorrer outros perante a justiça, exercício de longa data que se aperfeiçoou no passar dos tempos e nunca se extinguirá, tamanha a sua importância na vida das pessoas e na administração da justiça.

Foi também no mês de agosto que um advogado lageano protagonizou a cena que repercutiu no país: usou a tribuna para denunciar um desembargador catarinense, do qual alegava estar corrompido. Com tantos escândalos divulgados pela mídia todos os dias, particularmente me impressionei com tamanha repercussão dada ao assunto.

Como colega de profissão, acompanhei atentamente as críticas proferidas ao advogado exasperado, o Dr Felisberto, e praticamente todas foram direcionadas quanto a sua postura acalorada e muito pouco sobre a relevância da denúncia.

Dr. Felisberto tem 77 anos e é conhecido por atuar há mais de 50 como advogado. No uso da tribuna fazia a defesa de um processo que já tramita há décadas e lhe renderia alguns milhões como honorários profissionais. Usou da prerrogativa de sua função na tribuna, para atuar em sua defesa e o fez com maestria, destemor e ousadia, se perdeu no quesito elegância, mas fez valer seu juramento de advogado ao clamar pela justiça e ao denunciar um desembargador, que acredita que cometeu ato impróprio.

Em entrevista sobre o assunto, Dr. Felisberto, afirmou que “um advogado com meu tempo de trabalho já teve muita encrenca em juízo. E não teria como ser diferente, salvo se eu fosse um advogado relapso, o que não é o caso. Eu tive problema já na primeira sustentação oral que fiz no tribunal. Ser condenado é quase uma medalha de honra”. E ele está correto!

Entendo a postura do advogado quase octogenário, em plena atividade advocatícia, fazer um discurso inflamado defendendo um processo que se arrasta no judiciário há décadas. Diariamente sofremos junto aos clientes por conta da burocracia em todos os atos processuais e não é raro ver uma decisão ser parcial e injusta. Assim como na política, a corrupção existe nos órgãos julgadores e muita gente sabe disso,  as ainda há poucos “Drs. Felisberto” para expor publicamente a ferida e buscar o enquadramento  os maus profissionais, sejam eles juízes, promotores ou mesmo desembargadores.

Posições ousadas como essas é que obrigam rever posturas e posições de magistrados soberbos que muitas vezes cruzamos em virtude da profissão. Porém, a atuação do advogado trouxe perplexidade para muitos colegas, pois infelizmente hoje são muitos os advogados submissos aos magistrados que atuam com seus empregados fossem, acatando qualquer decisão e esquecendo do contraditório, ponto forte de nossa profissão, elemento que a faz tão importante.

Cada advogado ao fazer o juramento prometeu exercer a advocacia com dignidade e independência, defendendo a ordem jurídica do Estado Democrático e a boa aplicação das leis e creio que foi essa a atuação do advogado quando resolveu revelar os bastidores espúrios que envolviam a decisão daquele processo.

Que o exemplo do Dr. Felisberto sirva de reflexão a nós, advogados, para que tenhamos sempre motivações para ultrapassar os obstáculos que nos são impostos, coragem para lutar pela correta aplicação da justiça e assim tornar mais igualitária nossa sociedade.

Feliz dia do advogado.

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