Itajaí não merece ter Presídio de Segurança Máxima

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Antigamente a cadeia de Itajaí ficava no centro da cidade, onde hoje é o Detran. Com o tempo, o espaço tornou-se pequeno e inseguro. Então no final da década de 80 transferiram os presos para o cadeião da Contorno Sul, que foi construído para acomodar até 120 deles.

Em 2003 o cadeião chegou a ser interditado por conta da superlotação, cerca de 400 presos, e o problema foi noticiado amplamente. Naquela época Itajaí era governada por Jandir Bellini, que anunciou que construiria um presídio no Brilhante, mas a pressão popular fez com que o mesmo desistisse da ideia.

Em 2005 o então prefeito, Volnei Morastoni, confirmou a Canhanduba como o novo local do presídio. Porém, agora seria regional e atenderia Balneário Camboriú e Camboriú. Em contrapartida viriam recursos para a construção do Centreeventos e para construção do setor prisional para a ala feminina. Anos passaram, governantes mudaram, e as obras foram iniciadas apenas após decisão judicial, visto que as cadeias em toda a região estavam superlotadas.

A obra durou quatro anos e em março de 2012 o presídio foi inaugurado (pela segunda vez), já lotado e sem o prometido complexo feminino.

Passados cinco anos da inauguração, novamente se fala em Itajaí abrigar presos, agora, os mais perigosos do país, com a construção de um Presídio Federal de Segurança Máxima. Em contrapartida, algumas promessas: a obra geraria empregos, a construção de uma alça de retorno na BR-101 para o bairro Canhanduba, melhoria do sistema de iluminação pública, implantação de câmeras de monitoramento e aumento de efetivo.

Sou totalmente contra a vinda de um presídio desse porte para a nossa cidade, a começar pela contrapartida exigida pela prefeitura. Itajaí há muitos anos repassa impostos altíssimos ao governo do Estado e Federal com pouco ou nenhum retorno. A falta de representatividade política para exigir essa atenção nos deixou excluídos, mas não podemos negar que a nossa parte estamos cumprindo.

Diferente de Itajaí, os municípios vizinhos são prestigiados. Um exemplo é Balneário Camboriú, que recebeu recursos e está terminando seu Centreeventos sem precisar construir nenhum presídio por lá.

Vale lembrar que, assim como em outras cidades, a vinda do presídio federal incentiva membros de facções criminosas de todo o país a se deslocarem para a região a fim de dar suporte aos presos do bando, gerando disputa territorial de facções, trazendo mais insegurança e perigo à nossa gente.

Promessas de mais efetivo, de iluminação ou de obras não podem ser levadas tão a sério. Primeiro porque ano que vem trocam-se os governantes e, segundo, porque já estão em dívida há anos com a construção do complexo feminino.

O que observo nos outros municípios são ações firmes de seus representantes para que não haja presídios em suas cidades. Ter a cidade citada em rede nacional como o local que abriga os presos mais perigosos do país afasta o turista e aproxima os bandidos.

Prefiro que Itajaí entenda o quanto contribuiu com a sociedade em troca de uma contrapartida tão injusta. Quero que Itajaí aprenda observando o passado, quando fechou acordos por falsas promessas e não tem representantes com potencial para cobrá-las. Mas acima de tudo, quero que Itajaí se inspire no futuro próximo e queira ser lembrada por sua cultura, sua história e suas belezas naturais.

Diga Não à construção do Presídio Federal de Segurança Máxima em Itajaí!

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