Omissão oportunista

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Um dos primeiros decretos do prefeito de Itajaí Volnei Morastoni, após a nomeação recorde de cargos comissionados, grande parte deles de outras cidades e outra boa parte que configuram nepotismo, foi o de contingenciamento financeiro.

Quando anunciou formalmente que Itajaí estava em calamidade financeira, usou o decreto como justificativa para cortar os uniformes das crianças, a bolsa de estudo dos universitários, a bolsa atleta dos esportistas e o direito dos servidores. No entanto, ao que tudo indica, Itajaí deu uma surpreendente retomada na economia a ponto de, no início desse mês, anunciar que vai realizar o pagamento de R$ 1 milhão e 500 mil para uma empresa prestar serviço de publicidade por apenas 5 meses, ou seja, um gasto de aproximadamente R$ 10 mil por dia.

Por outro lado, a Câmara de Vereadores de Itajaí realizou um exaustivo debate entre os parlamentares para ver se instauram ou não a “CPI do Esporte”, o que manchou a imagem da Casa que já não estava boa. Quem queria a CPI, hoje não quer, e vice-versa. Uma hora não há irregularidades, na outra o próprio responsável pela pasta diz que tem. Tem quem aponte o caso de funcionários fantasmas indicados por vereadores dessa gestão. E há também quem fala que as irregularidades vêm desde a gestão passada, quando o esporte era gerido por outro vereador. E o povo assiste atônito e se pergunta: não seria no parlamento o lugar para se apurar essas irregularidades?

Na mesma semana um vereador itajaiense estampa as capas de jornais com a decisão de uma perícia judicial que o aponta como falsificador de documentos. O mesmo vereador é líder do governo e presidente das duas mais importantes comissões na Câmara de Vereadores, a de Legislação e Justiça e a de Orçamento e Finanças.

Até o fechamento dessa edição e passados cinco dias do episódio, não vi o presidente da Câmara de Vereadores se manifestar sobre a situação. Um posicionamento oficial da Câmara era o mínimo que deveria acontecer, já que um vereador daquela Casa comprovadamente fez algo ilícito e não teve postura compatível com a qual se espera de um vereador. Encaminhar o caso para a Comissão de Ética e afastar o parlamentar das comissões é o que deveria ser feito.

Também não houve manifestação oficial da Prefeitura de Itajaí, que agora tem formalmente como seu representante na Câmara de Vereadores, um falsificador de documentos.

É verdade que está muito difícil viver no Brasil, mas vamos combinar que a classe política também não colabora. Passado tanto desgaste com a imprensa, com a justiça e até com a polícia, ainda não entenderam que foram eleitos para representar o povo. Será que são tão insensíveis que não conseguem compreender a repulsa que há por pessoas pagas para nos representar, mas que são omissas diante de irregularidades? Qual o sentimento que esses maus políticos acham que a população tem quando veem seu representante envolvido em crimes e escândalos? O que esperam da população que sofre com a falta do básico, mas vê seu prefeito esbanjar em publicidade?

Há muito exigíamos justiça com afinco, hoje, totalmente desmotivados, sequer esperamos um mínimo de postura. Isso precisa mudar.

Maquiar toda essa situação em Itajaí, custa hoje aos nossos bolsos R$ 1 milhão e quinhentos mil. Mas a falta de postura dos nossos políticos em agir e exigir o correto, é um dano irreparável, que marcará a nossa história.

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