O setor privado e sua relação com a corrupção governamental

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No Brasil a relação do setor privado com os governos sempre foi muita próxima, ou para financiar campanhas eleitorais ou para desenvolver algum projeto de interesse de uma das partes. Não que o setor privado, não possa estabelecer uma relação junto aos órgãos gover­namentais, isso não é crime, mas essa relação tem que ser baseada em princípios legais, republicanos.

Muitos empresários no dia a dia para implan­tar projetos bem sucedidos, sabem que em algum momento algum agente público e/ou político irão procurá-los para o típico achaque, fruto de uma corrupção endêmica que assola o Estado brasileiro em vários setores.

Muitas vezes essa relação promíscua tem a contribuição do empresário, que quer resolver seu problema e tirar o seu projeto do papel, não impor­tando os meios para isso. Aqui reside o início das propinas, relações promíscuas, influência do poder econômico sobre as decisões governamentais etc.

Essa prática nefasta desenvolvida entre o pú­blico e o privado é histórica, – a típica troca de favores institucionalizada, o tradicional “toma lá dá cá.”

Essa relação entre os dois setores garante além do desenvolvimento de projetos de interesse do empresariado, futuros apoios políticos. Esse tipo de relação ignora leis, causas ambientais, o inte­resse público e cria um poder de interferência pa­ralelo que faz muitos governantes definirem seu modus operandi atendendo favores particulares, de grupos econômicos em detrimento do interesse da população.

O empresário que busca desenvolver sua ativi­dade honestamente sofre com esta relação nefas­ta entre determinados empresários e governos. O empresário preso na teia governamental operacio­nalizada para a corrupção, passa a ser controlado e intimidado por um grupo de agentes públicos e políticos sem escrúpulos e respeito as leis e a coisa pública, – os exemplos são muitos.

Por outro lado, a omissão em geral do setor privado em não ajudar a fiscalizar os atos governamentais, faz com que em­presários corruptos aliados a políticos corruptos, estabeleçam uma relação nociva para as nossas instituições.

A sociedade que clama pelo fim da corrupção é a mesma que não enfrenta o problema, que continua elegendo po­líticos corruptos, que defende esse tipo de político e gosta do slogan “rouba, mas faz”, tão conhecido no Brasil.

Temos no Brasil a ignorância e a “pilantra­gem” política de tentar desqualificar os que denun­ciam abusos e atos de corrupção governamental, de justificar que o político é corrupto, mas ajuda a resolver vários problemas sociais, a diminuir a po­breza, não importando os meios para isso, de achar que os atos nefastos podem ser justificados pelas boas ações que fez.

Fazer o correto, o legal na gestão da coisa pú­blica é uma obrigação, mas muitos ainda acham que é um favor do governante fazer isso.

Vivemos o nosso cotidiano com vários casos de corrupção, que precisam ser investigados para aplicação da lei, caso identificada a culpa, já que tais atos são anomalias que corrompem a coisa pública e geram prejuízos enormes a coletividade.

Trazendo este assunto para a realidade local, o caso que ocorreu na Fundação Municipal do Meio Ambiente (FAMAI) do nosso município reascen­de a discussão sobre a corrupção. Precisamos ficar atentos e acompanhar o caso, porém não realizar julgamentos prévios sem direito a defesa dos en­volvidos. É obrigação de qualquer gestor determi­nar a apuração interna de casos como esse e tomar as medidas administrativas cabíveis, baseadas no princípio da precaução, caso encontre indícios de atos de corrupção, a fim de proteger o interesse público, bem como as nossas instituições. Não po­demos mais conviver com desvios de conduta e atos de corrupção nas nossas instituições. A situ­ação requer cuidado, atenção e muita fiscalização da sociedade.

* O autor é Cientista Político e palestrante em gestão pública.

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