Valorizar a mulher é investimento

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No último sábado cerca de 200 mulheres se reuniram na Câmara de Vereadores de Itajaí para discutir a importância da presença feminina na política.

Infelizmente as exigências diárias no trabalho, com a manutenção do lar e a educação dos filhos, afastam a ideia de muitas em participar ativamente da política, porém, existem certas situações que só sendo do sexo feminino para fundamentar um bom debate, como os que dizem respeito à maternidade, estupro ou cirurgia plástica reparadora de mama, por exemplo.

Também é do interesse direto da mulher as leis que regulam as vagas de creche, do trabalho doméstico, da investigação de paternidade e da violência contra mulher, contudo, apesar de serem problemas antigos, viraram lei apenas nas últimas duas décadas, o que demonstra que a mulher tem avançado na busca pelos seus direitos, mas ainda está atrasada.

No meu ponto de vista, os homens perdem muito não reconhecendo os direitos das mulheres. Financeiramente falando, uma mulher que sofre de violência doméstica, por exemplo, prejudica seu empregador também, pois perde saúde mental, diminui capacidade de concentração e de tomada de decisões. Estudos recentes comprovam que uma vitima de violência doméstica falta ao trabalho em média 18 dias por ano. Quando as políticas públicas para garantir vaga em creche falham, é na maioria das vezes, a mãe, e não o pai, quem falta serviço para ficar com o menor. Ter o pai como acompanhante na hora do parto é um momento único para o homem também, e assim são vários os exemplos que demonstram que a qualidade de vida da mulher influencia, e muito, na vida de todos.

Grandes empresas no Brasil têm investido na proteção de mulheres não apenas como forma de colaboração, mas também como economia. Algumas têm os próprios disque denúncia, disponibilizam psicólogos e fazem a ponte com as autoridades. Outras aproveitam a campanha contra o Câncer de Mama para conscientizar sobre a violência em casa. Na Austrália, grandes empresas mudaram a política sobre o afastamento de mulheres que sofrem violência – em vez de descontar os dias parados, agora mantém o salário, tudo visando aumentar a produtividade das funcionárias e diminuir os atestados médicos.

A legislação eleitoral é um grande termômetro para vermos se as mulheres estão despertando para a política ou não. Desde que iniciou a obrigatoriedade de 30% da cota de gênero, as mulheres são convidadas a disputarem, mas ainda é grande o número de candidatas “laranjas”, sem qualquer intenção de voto ou vitória. Para combater isso, o Tribunal Eleitoral e o Ministério Público tem fiscalizado com afinco a situação e, se comprovada a fraude, além de denunciar os responsáveis pelo crime de falsidade ideológica eleitoral, os membros do Ministério Público podem propor ação de investigação e de impugnação do mandato eletivo contra os candidatos homens da legenda partidária que se beneficiaram com a ilegalidade.

O que leva os partidos políticos a quererem candidatas “laranjas” em suas trincheiras é tema para outro artigo. O que se trata aqui é da luta para que a política seja menos desigual e de mulheres que se prestam a este papel para servirem a interesses nada nobres. Sempre há erro em ambos os lados e, enquanto não pensarmos juntos e prol do coletivo, essa melhora não virá.

Por um tempo atribuía-se a virtude de uma família à virtude da mulher. Hoje a virtude de uma sociedade depende do acolhimento das possibilidades de desenvolvimento da mulher. Nós, mulheres, que sonhamos com um país mais justo e menos desigual, precisamos nos dispor a protagonizar essa mudança. Dizer que a luta é fácil, seria uma grande mentira, mas todo o sacrifício tem a sua recompensa.

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