As candidaturas cívicas ou independentes

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Os partidos políticos brasileiros vivem há muito tempo uma crise de representatividade e já não atendem mais os anseios da sociedade. São estruturas arcaicas, em descompasso com as ruas e constituídas de feudos. Aliás, temos também muitos partidos políticos que, na prática, funcionam como uma empresa, com “donos” e com “visão de lucro”.

Diante dessa falência na representação política e do afastamento dos eleitores dos partidos, surge a proposta das candidaturas cívicas ou independentes. A ideia ganhou força com a apresentação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), de autoria de um deputado federal da REDE do Rio Grande do Sul.

Existem muitos simpatizantes dessa proposta, já que a intenção de concorrer numa eleição ligado a um partido e ao seu programa não é visto com bons olhos por muitos cidadãos, enxergando nas candidaturas cívicas a possibilidade de concorrer sem as amarras e acordos escusos de partidos para conquistarem vagas no Parlamento ou serem governo.

Esse rompimento com o monopólio partidário elevaria as candidaturas cívicas a uma condição no jogo político, que faria com que os partidos buscassem sua reestruturação a qualquer custo, sob pena de serem levados a extinção.

Se analisarmos o perfil dos candidatos e suas respectivas filiações, identificamos facilmente que ele está na legenda por uma obrigação de concorrer filiado, estando sem comprometimento algum com o programa e o conteúdo ideológico desse partido.

Por outro lado, há quem defenda que essas candidaturas cívicas não provocará o fortalecimento dos partidos, pelo contrário, provocará um enfraquecimento e uma fragmentação na representação, criando problemas até para a governabilidade, já que sem orientação alguma e vinculação a uma legenda, o parlamentar poderá votar como bem entender. Mas, será que isso já não acontece na prática? Temos vários exemplos no Parlamento brasileiro e aqui em nossa cidade não é diferente. Vereadores do PP (Partido Progressista) e do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) votam de forma distinta, inclusive, votando contra projetos de seus próprios companheiros de partido.

Na verdade, assistimos sim, uma desvinculação completa dos parlamentares brasileiros com os seus partidos. Não existe orientação ideológica no voto, não existe compromisso com a bancada do partido ou com sua posição diante de um governo, o que existe é um “toma lá dá cá”, que faz parlamentares em qualquer nível de representatividade votar de acordo com seus interesses, com poucas exceções, é claro. Temos partidos no Brasil, que estão perto de serem tudo, menos uma instituição partidária com ligação popular.

Há pontos importantes a serem analisados nessas candidaturas cívicas, sendo um assunto de grande relevância, que não pode ficar perdido em meio a outros debates. Independentemente de ser contra ou favor, o que os eleitores, bem como os nossos políticos não podem negar é que a falência na representatividade ocorreu e a conta está chegando, de uma forma ou de outra. Vamos aguardar as próximas eleições.

* Cientista Político, servidor público municipal e palestrante em gestão pública.

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