O transporte coletivo público

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Itajaí há muito tempo sofre com a má qualidade no transporte coletivo público. Governos mudaram ao longo desse tempo, todavia, a má qualidade do serviço e a ausência de uma fiscalização eficiente continuaram.

Nos debates em época de eleição esse tema vem a tona e as promessas são sempre as mesmas, de melhorar a qualidade do serviço, de ter mais ônibus a disposição, mas na prática isso não acontece.

Essa ausência de um transporte coletivo público que atenda as necessidades dos usuários tem provocado uma série de problemas na nossa cidade. Tal situação interfere na mobilidade urbana, contribui para o aumento de veículos motorizados nas ruas da  cidade, que já está com vários gargalos nas ruas e avenidas, basta ver os horários de saída do trabalho e das escolas, por exemplo, para identificarmos o caos que está o nosso trânsito e, consequentemente, a mobilidade urbana.

No que diz respeito a abertura de novas avenidas, a última grande obra do município foi a construção da Avenida Contorno Sul, lá no início da década de 1990. De lá para cá, aumentou a nossa frota de veículos, aumentou a população, os aglomerados urbanos, as empresas na cidade etc., sendo que soluções para resolver a mobilidade na nossa cidade engatinharam nesse período.

Entre os anos de 2005 e 2014, a frota de veículos na cidade cresceu mais de 120%, uma média anual de crescimento de 9,5%, ocasionando um acréscimo de mais de 80.000 veículos registrados, saltando de 66.516 para mais de 150.000 veículos. Desse quantitativo, os veículos particulares de passeio foram os que mais cresceram, correspondendo a 45% do crescimento. (ITAJAÍ; PLANMOB, 2016).

Esses dados mostram claramente a individualização do transporte na cidade, ficando o transporte coletivo público a margem desse contexto, sendo responsável por apenas 8% do total de viagens.

Segundo o Ministério das Cidades, cidades com uma população entre 100.000 e 250.000 habitantes, o recomendado seria um deslocamento através do transporte coletivo público acima de 21% (Ibidem, 2016).

Mesmo com a mudança da empresa responsável por este tipo de transporte, os problemas continuam. Poucas linhas para atender as várias regiões da cidade, principalmente a área rural, pontos de parada em péssimas condições, inadequados para os usuários, seja em condições de chuva ou sol, falta de pontualidade etc.

O transporte público coletivo precisa ser discutido com a população, precisa ser criado canais de discussão para a solução desse problema. Não adianta só se basear em diagnósticos técnicos, é preciso ouvir os usuários, suas necessidades, suas dificuldades, que muitas vezes não aparecem nesses diagnósticos.

O transporte público coletivo é uma política pública estratégica, pois suas condições interferem em outras áreas, como a social, econômica etc., neste sentido, é fundamental unir a vontade política, a vontade técnica de resolver a situação, com a vontade da população de ter a sua disposição um transporte público de qualidade.

* Cientista Político, servidor público municipal e palestrante em gestão pública.

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