Vereador de primeiro mandato se decepciona com a velha política de Itajaí

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Vereador de primeiro mandato, Rubens Angioletti (PSB) tem se destacado na Câmara de Vereadores de Itajaí por sua postura combativa e em prol da população. Nesta entrevista ao Jornal Sem Censura o parlamentar que se auto denomina “neutro” fala sobre seus projetos, sua expectativa com relação ao mandato e avalia a atuação dos Poderes Executivo e Legislativo do município. Boa leitura!

JSCQual a avaliação que o senhor faz do primeiro ano do governo de Volnei Morastoni?

Rubens AngiolettiO Volnei Morastoni foi eleito pelo itajaiense. Mesmo eu não tendo votado nele, agora ele é o prefeito de nossa cidade. Portanto, se ele for bem, a cidade vai bem e as pessoas que eu represento ficarão bem. Penso que o prefeito Volnei, pelo fato de já ter sido vereador, deputado e prefeito, tem experiência para iniciar esse governo com ações completamente diferentes do que vinha sendo feito até hoje na política. Infelizmente, até o presente momento, eu não vejo um governo com inovações. O que temos visto, e esperamos que mude, é a velha forma de administração. É óbvio que algumas coisas estão acontecendo, nem podia ser diferente. A cidade é viva, se não atrapalhar ela quase flui sozinha. Talvez o prefeito tenha perdido a maior oportunidade da vida dele, isso porque se elegeu com apenas ¼ do eleitorado itajaiense, com apenas 6 vereadores e poucos partidos na coligação. Tinha tudo para implantar uma administração leve, eficiente e altamente profissional, diminuindo custos e dando uma resposta dinâmica aos anseios da população. Se eu pudesse dar um conselho, eu diria: Prefeito, reveja as ações na administração, faça uma política mais transparente, enxugue a máquina e ouça a população.

JSCO senhor está no primeiro mandato, mas depois de quase um ano de trabalho já tem condições de fazer um julgamento mais criterioso do funcionamento e bastidores do legislativo itajaiense. Qual é a avaliação que o senhor faz desse primeiro ano da Câmara de Vereadores?

Rubens AngiolettiEm 2013 a população brasileira saiu às ruas clamando para que os políticos ouvissem os gritos da sociedade e os pedidos por políticas transparentes e ações voltadas ao povo. A legislatura passada teve operações policiais e parte dos vereadores não demonstraram confiança. Por isso eu esperava que a Câmara de Vereadores de Itajaí, nesta nova legislatura, mudasse a forma de fazer política. Infelizmente, já na eleição da Mesa Diretora houve manipulação, a interferência do Executivo, vereadores que trocaram de lado sem explicações. Ou seja, no primeiro dia a Câmara deu um sinal de que faria mais do mesmo. E é o que temos visto acontecer. Chegamos ao ponto em que alguns vereadores votam contrário apenas por votar contrário, como se fosse uma briguinha de situação e oposição, de nós contra eles. Esquecem que as decisões interferem diretamente na vida da cidade e consequentemente na do cidadão. Vou dar um exemplo, na sessão que votou o projeto de aumento do IPTU havia uma emenda minha, que eu intitulei “casas palafitas”. Um projeto muito bom para a população que sofre com enchentes. A proposta é para que pessoas que construíssem casas com dois pavimentos em áreas demarcadas como de risco pela Defesa Civil, sendo o primeiro piso não habitado, o proprietário não pagaria impostos e taxas da área térreo. Em época de enchentes, o município também seria beneficiado e não haveria grandes perdas financeiras à família. Esse projeto recebeu voto contrário dos vereadores que dão sustentação ao governo. Fizeram mal para a população, talvez sem perceber. Acredito que o político deve descer da cobertura e vir mais ao chão, junto a população que está quase no porão. Devemos ouvir e trabalhar para o povo. Não somos autoridades. Autoridade é a população que paga nosso salário, nossos assessores e oferece todas as condições para nós produzirmos.

JSCQuais os principais projetos e ações que o senhor desenvolveu ao longo desse ano?

Rubens AngiolettiForam dezenas de projetos apresentados até aqui. Um deles é para dar transparência no cadastro do programa Fila Única que deve ser votado em breve. Ao invés de constar apenas o número do protocolo de entrada na fila, com a mudança proposta deverá aparecer o nome dos pais ou responsáveis pela criança. Fizemos uma audiência pública no início do mandato sobre o Fila Única e constatamos que havia reclamações pela falta de transparência. Assim, os pais poderão visualizar quem são as outras pessoas e aqueles que omitem dados no cadastro, pensarão duas vezes antes de fazer isso. Outro projeto que deve ser votado em breve também aborda a transparência na gestão pública. Ele determina que a Secretaria de Urbanismo fixe no setor, em local visível ao público, o fluxograma com todas as etapas e documentos necessários para que o contribuinte saiba o passo a passo de construção de uma obra. Desde os documentos necessários para consulta prévia até o pedido do Habite-se. Essa ideia surgiu após muitas pessoas me falaram desconhecer o processo e não ter informações claras no momento de dar entrada na documentação. Também enviamos proposta ao Executivo para transformar a Codetran em autarquia para gerir nosso trânsito e o estacionamento rotativo. Em 2016 a concessionária da zona azul faturou R$ 3,8 milhões e repassou para a prefeitura R$ 239.045,16 e outros R$ 113.922,40 recolhidos em ISSNQ. Penso que este dinheiro poderia ficar em Itajaí e ser reinvestido no trânsito da cidade. Já enviei 67 indicações sobre mobilidade urbana, uma preocupação do meu mandato. Nesse quesito, inclusive, sugeri a implantação de um estacionamento contêiner para bikes, assim alinhamos nossa vocação portuária com um layout moderno e arrojado. Entendo que não adianta a pessoa chegar ao  centro de bicicleta se não há locais adequados para guardar a bike. Não entrei na política por ambição e sim com uma missão: Juntos podemos e vamos mudar a forma de fazer política nesta cidade. As futuras gerações nos agradecerão.

JSCO senhor foi um dos parlamentares que encampou a briga dos moradores da área rural de Itajaí que sofriam com o mau cheiro de uma das fábricas de peixe. Recentemente, a fábrica foi fechada, por decisão judicial. Essa foi uma das suas principais lutas. Como foi essa briga?

Rubens AngiolettiDesde setembro de 2016 os moradores do Bairro Arraial dos Cunha sofrem pelo mau cheiro gerado por uma empresa que processa restos de peixes. A comunidade já estava perdendo a esperança de tanto reclamar para os órgãos públicos, sem nenhuma solução. Entramos nessa questão em janeiro deste ano, fizemos três reuniões com representantes da empresa, que prometeram solucionar o problema, mas a cada dia piorava. Cansados de tanta promessa, eu e o vereador Marcelo Werner reunimos alguns moradores e fomos ao Ministério Público Estadual. O MP abriu uma ação e no andamento desse processo um fiscal da Famai entregou um documento à juíza informando que não foi constatado mau cheiro na região. Mas todos sabíamos que existia o cheiro de carniça e eu não podia deixar os moradores passarem por mentirosos. Fui numa sexta-feira a noite até o bairro, nos reunimos com vários moradores e comecei a gravar um vídeo com os depoimentos e entreguei para à justiça. O surpreendente foi que, sem ser a obrigação dela, a Juíza foi ao local e constatou pessoalmente o forte odor. Depois disso foi solicitado uma série de melhorias à empresa, que não foram atendidas. Por isso houve o embargo feito pela Fatma. Não podemos concordar que uma corporação ou qualquer outra pessoa desobedeça as leis. Nossa luta é para que mais empresas venham a Itajaí, respeitando as regras, com transparência, ética, respeito ao meio ambiente e a comunidade.

Se eu pudesse dar um conselho, eu diria: Prefeito, reveja as ações na administração, faça uma política mais transparente, enxugue a máquina e ouça a população

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